Conhecido sobretudo pelos estudos acerca da teoria da dependência, o economista Theotônio dos Santos, professor emérito da Universidade Federal Fluminense, tem um conjunto de obras que em muito suplanta essa temática. Aqui nos deteremos em um trabalho de cunho metodológico, exposto na forma de conferência (realizada pela Universidade do Chile, em 1966) e publicado em livro pela editora Vozes, o Conceito de Classes Sociais*. Santos discute as origens históricas do termo, confronta noções de outros pensadores críticos de Marx, e em todo esse traçado que inclui um debate a respeito dos níveis do conceito de classe e da consciência de classe e busca propor, ao final, uma síntese, e um método de investigação. A justificativa desse estudo reside na constante confusão feita a respeito do conceito de classes em Marx, e, existindo confusão a respeito do conceito, é natural que haja, igualmente, confusão a respeito de como pesquisá-lo.
Santos afirma logo de princípio que o conceito de classes, assim como diversos outros, não foi criado por Marx. Ele existe desde a Antiguidade. Aristóteles já dividia os cidadãos entre ricos, classe média e pobres. Além disso, "Os Atos dos Apóstolos e o Novo Testamento estão cheios de referências às classes sociais" (p.7). Nessa linha seguirá o pensamento medieval - São Tomás de Aquino igualmente dividirá a sociedade em ordens sociais "bastante rígidas". A divisão de classes ficará mais clara com a ascensão da era moderna. "Em Babeuf, encontramos uma representação muito clara da luta de classes como fator determinante da luta política" (p.8), inspirado pelos conflitos resultantes da Revolução Francesa. É nesse contexto que Adam Smith, mais voltado à análise da realidade inglesa, fundamentará sua visão de classes na sociedade burguesa, "baseada em sua função econômica", e não mais pela renda. Assim, Smith pensará as classes em termos de agrária, industrial e assalariada. A originalidade de Marx reside na sua postura de dar a esse conceito "não só uma dimensão científica, mas também atribuir-lhe o papel de base de explicação da sociedade e de sua história". Santos deixa claro, porém, que o tratamento que Marx dará ao termo é impreciso, citando como exemplo o fato de a obra O Capital ter sido interrompida "justamente no capítulo em que começava a tratar das classes sociais".
Críticas ao rigor conceitual de Marx
A análise de Santos se inicia trazendo abordagens críticas ao conceito, para a partir delas desenvolver sua reflexão no todo. A primeira dessas abordagens é a de Georges Gurvitch, que, entre outras críticas, afirma que Marx "jamais consegue estabelecer com clareza se a consciência de classe é ou não um elemento necessário à definição de uma classe social" (p.10-11). Gurvitch também questiona o conceito de ideologia, perguntando se as ideologias, para Marx, "são ilusões da consciência ou mistificações conscientes" (p.11).
Antes de rebater essas observações, Theotônio dos Santos apresentará outro autor crítico do conceito, o sociólogo polonês Stanislav Ossowsky. Esse autor apontará, em Marx, três enfoques sobre as classes sociais: o esquema dicotômico, apresentando uma oposição aguda entre classe dominante e classe dominada; o esquema de gradação, diferenciando as classes pela posição em que se situam numa escala, mais alta ou mais baixa, utilizando o exemplo da pequena burguesia; e o esquema funcional, distinguindo-as de acordo com a propriedade de fontes de renda, permitindo-se entender as contradições dentro de uma mesma classe social, como os a luta entre a burguesia industrial e a financeira. Santos lança a pergunta, a partir das observações de Ossowsky: "trata-se de esquemas superpostos de análise ou de planos diferentes de um mesmo processo analítico sintetizante?" (p.14). Essa pergunta ocupa lugar central na análise, uma vez que Santos considerará como um dos maiores suportes do pensamento de Marx a sua dialética materialista, oculta no seu questionamento, e identificará entre os críticos de Marx o comportamento comum de "analisar a Marx do ponto de vista do pensamento analítico".
Como captar o conceito de Marx
A complexidade do conceito de classes em Marx tem como exemplo maior o fato de que em O Capital, ele somente examinará as classes "depois de ter analisado o processo da produção do capital, o processo de circulação do capital, e, ao final do estudo, o processo de produção capitalista em seu conjunto" (p.15). Fica claro o elevado grau de abstração que existe no estudo desse conceito. É possível encontrar em Marx passagens que indicam as classes sociais como a personificação das categorias centrais de um determinado regime de produção, mas "nenhum regime produção existiu historicamente de maneira pura" (p.16), o que dificulta o trabalho de identificá-las.
Santos exporá o grau de abstração das classes ao dizer que "a determinação das classes sociais básicas da sociedade não é tarefa da observação empírica, mas de uma investigação teórica do modo de produção que a constitui" (p.16, grifo nosso). Ou seja, somente podemos encontrar as classes sociais integrantes de uma determinada conjuntura após analisarmos sua conjuntura, elemento que será debatido mais à frente. Santos considerará impossível identificar as classes sem superar essas etapas de abstração, colocando essa rígida diferenciação e afirmando a interdependência entre eles como sendo "um dos principais aspectos do método dialético" (p.17). Santos indicará, em nota que é possível "começar a estudar uma sociedade a um nível totalmente empírico ou impressionista, mas o estudo só adquirirá o status científico quando estiver em condições de definir as relações essenciais desta sociedade" (p.18).
Os níveis do conceito de classes
Primeiro nível: o modo de produção
Assim, ao estabelecer os níveis a partir dos quais podemos chegar às classes, Santos identifica no modo de produção o basilar, "[os] componentes são antagônicos [e] as classes sociais são uma expressão fundamental dessas relações antagônicas. Em consequência, o conceito de classes sociais se constitui teoricamente dentro do conceito de luta de classes" (p.19).
Nesta seção, Santos começará a discutir a consciência, frisando que "o conceito de consciência de classe no marxismo não corresponde à ideia vulgar empírica da consciência que têm os indivíduos de sua condição de classe" (p.20). Igualmente, Santos questiona o fato de se transpor esse conceito para diferentes períodos, alertando que somente "importa estudar as classes e a consciência de classe a nível altamente abstrato e ao mesmo tempo com referência a uma formação histórica concreta" (p.20, grifo nosso). Santos afirma que, isolando os fenômenos de seus aspectos secundários, é possível estudar tais formações em condições quase de laboratório, o que permite alcançar elevado grau de compreensão. Para além disso, Santos já se adianta a questionamentos que podem sugerir que em Marx tais categorias teóricas se impunham à realidade, e não o contrário, destacando que "essas categorias de análise marxista não nascem das condições possíveis da percepção da realidade social, mas da expressão teórica da prática social" (p.22), ou seja, elas são abstrações de modos reis de produção, e não categorias universais aplicáveis a realidades não historicamente determinadas".
Segundo nível: a estrutura social
Aqui, Santos já começa afirmando que "o marxismo não usa a abstração de maneira formal. Quando elabora o conceito abstratamente, nega-o em seguida, ao mostrar as limitações deste nível do conceito" (p.24). É por isso que é precisa sempre passar a níveis mais concretos de abstração, isto é, partindo do modo de produção e suas contradições em geral, passando pelas novas formas específicas entre seus componentes e, num nível mais concreto, chegando a formações sociais específicas, dentro de um universo histórico e geográfico determinado, identificando seus grupos sociais protagonistas. Entendendo que a este nível, a consciência de classe deverá ser tratada sob a forma de interesses sociais teoricamente definidos, Santos afirmará que "por consciência de classe se entenderão as formas possíveis de consciência nas condições específicas de uma dada estrutura social" (p.25, grifo do autor).
Terceiro nível: situação social
Aqui já nos encontramos mais próximo de uma sociedade concreta, ainda que sua descrição será já científica, e não meramente empírica. A situação social surge quando, "ao diferenciarmos internamente a estrutura, encontramos uma série de fenômenos correlacionados e dependentes da estrutura de classes" (p.26). Neste nível, a análise é feita a partir de valores socialmente dados; não podemos, portanto, estudar a consciência de classe, mas sim ao nível do que Lukács considerou como psicologia de classes. "Por psicologia de classes se entendem as formas de pensar e sentir das classes sociais situadas historicamente" (p.27). Encontraremos, nessas situações, frequentemente, contradições entre os interesses de classe de uma classe e seus interesses imediatos, daí a diferenciação entre consciência e psicologia de classes, e baseado em que Theotônio dos Santos afirmará que
A riqueza analítica do método dialético surge aqui com toda sua força. Contra a realidade unilinear e clara do empirismo se opõe uma multiplicação de planos de contradições, de possibilidades de análise do comportamento humano. E surge também a condição dramática da realidade social, as contradições objetivas entre os indivíduos e sua realidade objetiva e psicológica. Surgem os elementos trágicos, grotescos ou cômicos da existência humana. A ciência se encontra assim com a política real, a literatura, a arte e a existência diária dos homens. Torna-se vida. Esta é a força concreta do marxismo, ainda não completamente desenvolvida: sua capacidade de ligar o mais absoluto rigor teórico abstrato às mais cotidianas realidades do homem. (SANTOS, 1982, p.27)
Quarto nível: a conjuntura
A conjuntura é um nível bastante mais dinâmico, e mesmo mais contraditórios. Santos afirma, por exemplo, que nos momentos de prosperidade a psicologia de classes se manifesta completamente distinto dos momentos de crise. "Nas situações de crise a psicologia e a consciência de classes tendem a se confundir numa só realidade" (p.28), pois se torna mais clara aos homens suas condições de existência. Isso se torna difuso em momentos de ascensão ou de equilíbrio social. A virtude do marxismo reside em entender essa contradição, enquanto "a ciência empirista, com sua supervalorização do dado [...] tende a confundir a dinâmica da realidade com a dinâmica aparente de certos períodos históricos".
A consciência de classe
Santos inicia sua abordagem acerca da consciência falando de classe em si e de classe para si, lembrando o fato de essa distinção "de sabor hegeliano" ser causa de muitas confusões. Aqui, entender a diferença entre os conceitos de psicologia e de consciência de classes se torna útil para superar essa confusão. "Na medida em que a psicologia de classes não expressa a realidade destas relações num setor significativo dos indivíduos que compõem uma classe, pode-se conceituar estes agregados humanos como classe em si" (p.31, grifos do autor), ao passo que somente se tornarão classe para si "numa situação social em que tomem consciência destas relações sob a forma de uma ideologia política que definda claramente as condições reais de sua existência". Entendendo que isso presume conhecer também os modos de superação dos obstáculos interpostos aos interesses dessas classes, Santos indica que classe para si é "uma classe capaz de elaborar um projeto de existência social adequado a seus interesses de classe" (p.31)
Aqui também se discute a ideologia como falsificação da realidade, ou o problema que existe nessa acepção. Santos justifica isso como um problema ao dizer que "só há ideologia quando há representação verdadeira dos interesses" (p.32). Ele identifica a confusão entre verdadeira e falsa representação ou consciência pelo fato de que sendo as dominantes as ideias da classe dominante, ela aparecerá como falsa às demais classes. Não se pode, afinal, suplantar a ideologia dominante. Em relação aos interesses da burguesia, portanto, a ideologia está fundamentada numa realidade. Reside aí, por exemplo, para Santos, a impossibilidade de que se constitua uma verdadeira ciência, isto é, um mecanismo que explique o real, e não tão-somente sua aparência imediata. A burguesia se torna prisioneira do pragmatismo, e com ela "a necessidade ideológica de falsear o real, [que] se expressa na necessidade da teoria burguesa de ser empirista" (p.33).
Santos lembra que não foi sempre assim. "Em seu momento de ascensão política e econômica, a burguesia foi impelida por uma profunda necessidade de conhecer teoricamente" (p.34). No entanto, é quando se consolida no poder que "o pensamento burguês tende a tornar-se cada vez mais antiespeculativo, antirracional, antiteórico".
Suplantando as confusões decorrentes da não compreensão dos conceitos de classe, ideologia e psicologia de classes, é possível, enfim, avançar na análise da consciência de classe. Essa análise define elementos que permitem e condicionam o surgimento ou o obscurecimento dessa consciência. A composição desses elementos é a seguinte: 1- análise das relações objetivas reais, ao nível do modo de produção; 2- uma estrutura ou numa dada situação histórica; 3- o estado empiricamente observável desta consciência. A partir destes três níveis uma análise dialética se torna possível. Apesar disso, Santos alerta que "um problema especial pode surgir com o estudo das classes transitórias pois suas condições de existência na sociedade estão em constante transformação para novas formas de relação" (p.37). Ele inclui nesse rol os agregados que não chegam a se cristalizar como classes, ou quando a consciência destas classes estão sujeitas à pressão constante de outras classes, como por exemplo, no capitalismo, a pequena burguesia.
Vale frisar que, sendo os interesses de classes antagônicos, também as consciências de classe o serão, pois "para que as classes consigam realmente possuir uma consciência de classe, devem opor entre si regimes sociais diferentes" (p.38). A consciência de classe, portanto, não se submete a meros interesses, mas a perspectivas distintas de sociedade.
Compreender esse caráter como parte da consciência de classe exige, segundo Santos, a necessidade de compreender também o papel do intelectual na luta de classes, uma vez que "é somente uma atividade intelectual sistemática que permite tirar as consequências da práxis e sistematizá-la de forma que a consciência se transforme em consciência efetiva dos indivíduos da classe". Admitindo que os indivíduos que estão envolvidos na prática não têm como conscientizá-la, Theotônio resgata Lênin, ao afirmar que o líder russo "insistia que o proletariado não podia chegar a uma consciência de classe, mas no máximo a uma consciência sindicalista", sempre alertando que o intelectual não pode, portanto, ser considerado um indivíduo "isolado numa torre de marfim", mas como um militante da classe.
Antes de encerrar esta seção, Santos discute se havia consciência de classe nas sociedades pré-capitalistas, e esclarecendo que "nestas sociedades os indivíduos se concebiam não como classes, mas como castas, ordens, estamentos, etc.", não sendo, portanto, possível deter tal consciência, entendendo, como foi dito antes, que a estrutura social explica a estratificação social (situação social). O capitalismo ajudou a desmistificar as relações entre os homens, ao diferenciá-los economicamente, ainda que hoje se encontrem limites ideológicos para que se avance nessa desmitificação.
Tentativa de conceitualização
Santos caracterizará as classes sociais, portanto, como "agregados básicos de indivíduos numa sociedade, os quais se opõem entre si pelo papel que desempenham no processo produtivo, do ponto de vista das relações que estabelecem entre si na organização do trabalho e quanto à propriedade" (p.41). Decompondo, portanto, o conceitos em seu nível geral e abstrato, teremos:
1- Agregados de indivíduos;
2- Básico na sociedade;
3- Opostos entre si;
4- Em relação à função no processo produtivo, quanto:
4.1- às relações de trabalho;
4.2- à propriedade.
A partir disso, pode-se resumir as respostas às objeções feitas a Marx, considerando que tais respostas partem do caráter dialético ("diferenças em níveis, relação entre concreto e abstrato, papel das contradições" (p.43)) da análise marxista. As objeções, portanto, se tornariam insuficientes por se apoiarem em textos isolados, isto é, despindo-os de seu caráter eminentemente dialético. Afirma, assim, que o conceito de luta de classes é uma exigência da análise dinâmica das classes e, questionando os enfoques que Ossowsky identifica na conceitualização marxista, sentenciará que "não se trata de conceitos diferentes de classe, mas é uma visão dialética em que o conceito se 'refaz' de acordo com o nível de abstração em que se situa a análise". O número de classes sociais, portanto, varia segundo o nível de análise e as estruturas sociais em questão. A função da ideologia, aí, esclarecendo o questionamento de Gurvitch, será a de introduzir entre os interesses de determinadas classes a necessidade de mistificar e obscurecer a dominação.
Santos encerra reafirmando a "missão histórica" do proletariado, mas despindo esse termo de quaisquer noções metafísicas, e destacando que "quando se fala em 'missão' se faz referência às potencialidades históricas de uma classe cujos interesses materiais objetivamente determináveis levam a determinados resultados históricos desde que consigam impor historicamente seus interesses" (p.44, grifo nosso).
Como investigar as classes
Aqui, Santos chega ao final de sua exposição, em que sugerirá um método de investigação das classes, e, ainda que reconheça ser possível fazer uma análise a partir de um nível "intermediário" ou a mesmo num "nível final", ressalta que "só se pode alcançar um conhecimento científico efetivo (condicional, explicativo e, por fim, causal) quando se consegue situar uma determinada sociedade dentro deste modelo geral de análise" (p.45).
1. Análise do processo produtivo
Essa análise é o ponto de partida do estudo sobre as classes, do qual se distingue: "a) o nível de desenvolvimento das forças produtivas [...] b) o nível das relações de produção" (p.46). O primeiro procedimento tem sido largamente desenvolvido pela sociologia do trabalho e pela antropologia, pelos estudos sobre tecnologia, etc, e o segundo, dependente do anterior, convém analisar os componentes gerais da divisão social do trabalho a partir de suas funções (manuais, intelectuais, de produção, de circulação, etc) e de suas relações de propriedade (proprietários de meios de produção ou de força de trabalho, etc). Além disso, Santos destaca um terceiro procedimento, complementar aos anteriores, isto é, identificar as classes básicas da sociedade, as intermediárias, em formação ou decadentes, bem como os diversos setores de classe, sempre relacionando-os entre si.
2. Análise dos interesses sociais
Superada a primeira fase, podemos examinar os interesses correspondentes às classes, colocando em relação "uns com os outros como opostos e interdependentes, pois só desta forma podemos alcançar a efetiva compreensão de seu significado" (p.47). Santos indica que é preciso diversificar a análise, identificando subinteresses, introduzindo elementos mais concretos, como a distribuição de renda, a estrutura demográfica, as instituições, etc. Ao final desse processo, é possível compreender dialeticamente uma estrutura social "como um resultado e um condicionante das relações entre interesses sociais e em contradição".
3. Consciência e psicologia de classe
Aqui já se torna possível identificar as tendências que levam à formação da consciência e da psicologia das classes. Subgrupos e estratos sociais, bem como setores de classe, também podem ser analisados por este prisma. A análise aqui deve combinar a percepção econômico-social com uma observação mais direta. Santos denuncia nesse âmbito trabalhos pouco desenvolvidos de opinião pública, movimentos políticos, congressos, etc, e considera que é necessário aperfeiçoar as técnicas de análise de texto qualitativas e quantitativas. Pesquisas com classes e grupos, munidos de uma boa técnica de análise, são fundamentais para a identificação da psicologia das classes.
4. Integração da análise
Santos finaliza sentenciando que, seguindo essa linha, "a análise se desenvolve em vários planos possíveis. O plano do modo de produção [o mais abstrato]; o plano da estrutura social econômica concreta [que supõe a combinação de vários modos de produção e suas variantes internas, e da superestrutura cultural e ideológica]; por fim, o plano conjuntural [que conduz à diversificação do comportamento das classes e grupos sociais conforme as diversas situações conjunturais]" (p.48).
Assim, Santos encerra sua exposição, analisando a virtude deste "ideal científico [que] se opõe profundamente a uma ciência positivista que procura leis gerais válidas em si mesmas" (p.49). A análise, a partir do exposto nesse trabalho, leva ao particular, não se encerrando, artificialmente, nas leis gerais.
*SANTOS, Theotônio dos. Conceito de Classes Sociais. Petrópolis: Vozes, 1982.
Apêndices da obra: O Capital (As Classes / Tendência Histórica da Acumulação Capitalista); A Ideologia Alemã (História); Contribuição à Crítica da Economia Política (Prólogo)