Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada?
- Brecht


domingo, 11 de agosto de 2013

Avanços da política industrial na Coreia do Norte

Espantaria os olhos ocidentais o avanço que tem a política industrial e, conectada a ela, a política de desenvolvimento da ciência e da tecnologia na Coreia do Norte. Isso só não acontece porque essa rica experiência socialista é sufocada na grande mídia dos Estados Unidos, prática também aplicada pelos seus sócios minoritários no Brasil.
Complexo Industrial de Kaesong
As dificuldades enfrentadas pelos nortecoreanos os obriga a aplicar uma política industrial de caráter estatal em sua totalidade, não abrindo margem para a iniciativa privada dentro do território, exceto a partir de parcerias que têm sido cautelosamente testadas. Uma delas é a abertura do Complexo Industrial de Kaesong, inaugurado há quase dez anos, e que está localizado próximo à fronteira com a Coreia do Sul. Nesse complexo, é admitida a presença de grandes empresas privadas do Sul, e a cooperação entre os dois países tem surtido efeito tanto na tecnologia de ambos quanto na oferta de empregos: nesse complexo, trabalham nada menos que 50 mil pessoas.
Laboratório de Vitamina C recém-construído
No entanto, esse não é a única região onde se desenvolvem projetos avançados. Em Sunchon, situada ao norte da capital Pyongyang, estão o Complexo Químico, a recém-construída fábrica de Vitamina C e o Complexo de Cimento, uma das bases mais importantes do país, e, especialmente no caso do cimento, tem passado por uma rápida elevação de produtividade para dar conta das obras que não param em todo o território. Uma dos setores com maior demanda é a construção civil imobiliária, motivada pela crescente demanda por mais habitação no país. Um gigantesco condomínio aberto está sendo construído pelo governo para atender às necessidades do povo de Pyongyang e Hamhung, e, além dele, conjuntos de apartamentos para cientistas nas cidades industriais.
Gerar energia suficiente para abastecer o país fica, sobretudo, a cargo do Complexo Termelétrico de Pyongyang, além do qual os nortecoreanos dispõem de sua já reconhecida tecnologia nuclear. Há também a Companhia Mixta Ltda. de Equipamentos Elétricos para oferecer suporte material ao Complexo Termelétrico da capital.
Projeto da nova fábrica da PyeongHwa Motors,
na cidade de Nampo
Por fim, podemos chamar atenção para um próximo empreendimento industrial, desta vez no ramo automobilístico, que é a construção de uma nova fábrica da PyeongHwa Motors, uma joint venture com uma montadora sulcoreana, mais um exemplo de parceria industrial entre as duas Coreias.
É preciso valorizar os avanços mas sempre ter em conta que a experiência do socialismo nortecoreano tem sido, desde a derrocada da União Soviética, construída sobre um terreno bastante pantanoso, gerado sobretudo pela política de bloqueio comercial criminoso a esse país, o que faz com que não reste à Coreia qualquer alternativa de crescimento que não passe por investimentos próprios. Aqui cabe compreender que, apesar de se configurar como um país socialista, empreender um projeto de edificação de um novo modo de produção sendo alijado de artifícios de extrema importância (ou mesmo imprescindíveis, do ponto de vista das leis econômicas) faz com que o fardo sobre os ombros da Coreia do Norte sejam bastante pesados. A China e, em menor escala, o Vietnã, têm dado mostras de como uma experiência socialista em estágio primário pode ter uma economia bastante dinâmica, sabendo oferecer concessões ao capital privado, resguardando-se sempre o controle da economia e de todos os setores estratégicos, além da manutenção do poder político. Ambos os países crescem entre 6 e 9% há anos, enquanto os coreanos crescem entre 1,5 e 3%, o que não chega a ser mal, mas demonstra que o desenvolvimento pleno das forças produtivas - condição necessária para a consecução do projeto socialista - ainda está distante.
Condomínios populares em construção
A Coreia do Norte, por circunstâncias que estão além de sua escolha, no entanto, permanece sem essa alternativa já tentada nos países socialistas irmãos, e que dá seus passos em Cuba. No caso dos nortecoreanos, mesmo as vestimentas populares precisam ser produzidas no país - tarefa que fica a cargo da corporação Moran Aeguk, fundada em 1986 -, e embora as possibilidades de cooperação internacional possam ser revitalizadas no futuro, até lá é importante ter ciência de que a Coreia tem dado conta do recado.


Fontes:

Nenhum comentário: