Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada?
- Brecht


quinta-feira, 13 de março de 2014

1914, cem anos depois

Holloway escreve que, ao contrário de hoje, uma época sem esperança, há cem anos o debate a respeito das mudanças que a sociedade precisava era marcado pelo otimismo. Cita como exemplo a polêmica Bernstein x Luxemburgo, para tentar argumentar, a partir daí, a existência de um dito "consenso" a respeito da necessidade de uma sociedade "baseada na justiça", mudando apenas a forma sobre como essa mudança se daria, se pela revolução ou pelo reformismo bernsteiniano.

Essa noção, no entanto, não tem fundamentação histórica. O debate reforma x revolução era marginal, pertencia ao interior do marxismo, e denunciava a primeira grande crise que esta teoria apresentava, rachando logo em seguida. O conjunto da sociedade europeia no início do Século XX, pelo contrário, nunca estivera antes tão convencido de como aquele capitalismo galopante estava assentado e se afirmava como a melhor fase da História da Humanidade.

Só que no contexto do capital, não há espaço para crescimentos múltiplos e permanentes. Uma hora, parafusos iam brequar algumas engrenagens e travar todo o funcionamento daquele sistema. Foi o que aconteceu, exatamente em 1914. E exatamente como hoje, uma época em que grandes países se afirmam e interesses começam a se chocar, as faíscas começaram a ser cada vez mais frequentes. A Crimeia está aí, a Síria, as bases militares no mundo todo... o debate marxista permanece marginal. E o risco de vermos, neste 2014, um novo 1914, não tem nada de ilusório.

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