Um dos maiores mitos que persistem de pé hoje é que a universidade é, numa menção pejorativa, um "antro de marxistas". Acontece que há muito poucos marxistas nesses lugares. No momento em que curso minha segunda faculdade, num curso onde essa corrente é pretensamente dominante, o que menos se vê são discursos que dominem o marxismo em suia essência - a perspectiva materialista e dialética - e que o contextualizem adequadamente, e isso cabe tanto para professores universitários que se posicionem pela esquerda ou pela direita.
Na antiga faculdade de Geografia (Cefet-IFRN) e na atual, de Ciências Sociais (UFRN), frequentemente conceitos marxistas são colocados de maneira inadequada, e essas falhas pontuais tornam-se graves quando envolvem um teórico basilar das ciências humanas, permitindo-se esta crítica também para outros cursos dessa área.
A consequência trágica dessas circunstâncias é a formação de cientistas com baixa formação teórica, muitas vezes até se valendo equivocadamente de métodos apontados pelo próprio Marx e até mesmo se afirmando como marxistas, ainda que essa autoafirmação de nada valha quando a prática aponta uma postura contraproducente. Marx já estabelecia que não importa o que as pessoas dizem de si mesmos; a prática que é o critério da verdade. Na melhor das hipóteses, portanto, o que vemos nas universidades são os chamados marxólogos - pretensos marxistas de academia, que dedicam-se ao estudo das obras marxianas mas desvincula essa pesquisa da vida concreta, não fazendo-se valer de seu aprendizado para desenvolver uma teoria transformadora da realidade - e os anticapitalistas, personagens rebeldes mas de uma pouco sólida formação teórica, e que muitas vezes se definem como marxistas meramente como demarcação de espaço, afinal o socialismo científico formulado por Marx e desenvolvido outros revolucionários nada tem a ver com anticapitalismo, pelo contrário; não é a negação do capitalismo, mas sim sua superação.
Nesse sentido, aponto como crucial a formação de um grupo de estudos marxistas, que trabalhem a partir do entendimento do método, da perspectiva e da projeção do materialismo histórico na vida real e concreta. Frequentemente, essas questões são negligenciadas pela onda pós-moderna que adentra na universidade, para a qual o método é mero acessório, sendo a análise do discurso suficiente para formulação de novas teorias. Nada mais equivocado.
Entender o método dialético de Marx é estudar, ao mesmo tempo, o próprio método científico de intervenção na realidade e (re)produção de conhecimento. Compreendê-lo não presume conversão intelectual ao marxismo, nem muito menos negligência aos estudos de teóricos que pertencem a outras linhas. É exatamente o oposto disso: entender o marxismo permite-nos nos armar intelectualmente e formar solidamente nossa própria postura, pois a partir de Marx compreendemos o papel que cumprem as correntes nas ciências humanas e a que(m) elas servem, além de nos emancipar intelectualmente do discurso anticientífico pelo qual somos bombardeados constantemente.
Esses itens nos abrem espaço para que assumamos a nossa própria postura, seja no campo do marxismo, em campo correlato, ou até mesmo oposto. O estudo de Marx não visa à cooptação, mas sim à compreensão do que é a ciência e como fazê-la.
Desenvolverei esta ideia do grupo de estudo na universidade e no futuro venho expor mais detalhes a respeito de como anda a proposta.
Na antiga faculdade de Geografia (Cefet-IFRN) e na atual, de Ciências Sociais (UFRN), frequentemente conceitos marxistas são colocados de maneira inadequada, e essas falhas pontuais tornam-se graves quando envolvem um teórico basilar das ciências humanas, permitindo-se esta crítica também para outros cursos dessa área.
A consequência trágica dessas circunstâncias é a formação de cientistas com baixa formação teórica, muitas vezes até se valendo equivocadamente de métodos apontados pelo próprio Marx e até mesmo se afirmando como marxistas, ainda que essa autoafirmação de nada valha quando a prática aponta uma postura contraproducente. Marx já estabelecia que não importa o que as pessoas dizem de si mesmos; a prática que é o critério da verdade. Na melhor das hipóteses, portanto, o que vemos nas universidades são os chamados marxólogos - pretensos marxistas de academia, que dedicam-se ao estudo das obras marxianas mas desvincula essa pesquisa da vida concreta, não fazendo-se valer de seu aprendizado para desenvolver uma teoria transformadora da realidade - e os anticapitalistas, personagens rebeldes mas de uma pouco sólida formação teórica, e que muitas vezes se definem como marxistas meramente como demarcação de espaço, afinal o socialismo científico formulado por Marx e desenvolvido outros revolucionários nada tem a ver com anticapitalismo, pelo contrário; não é a negação do capitalismo, mas sim sua superação.
Nesse sentido, aponto como crucial a formação de um grupo de estudos marxistas, que trabalhem a partir do entendimento do método, da perspectiva e da projeção do materialismo histórico na vida real e concreta. Frequentemente, essas questões são negligenciadas pela onda pós-moderna que adentra na universidade, para a qual o método é mero acessório, sendo a análise do discurso suficiente para formulação de novas teorias. Nada mais equivocado.
Entender o método dialético de Marx é estudar, ao mesmo tempo, o próprio método científico de intervenção na realidade e (re)produção de conhecimento. Compreendê-lo não presume conversão intelectual ao marxismo, nem muito menos negligência aos estudos de teóricos que pertencem a outras linhas. É exatamente o oposto disso: entender o marxismo permite-nos nos armar intelectualmente e formar solidamente nossa própria postura, pois a partir de Marx compreendemos o papel que cumprem as correntes nas ciências humanas e a que(m) elas servem, além de nos emancipar intelectualmente do discurso anticientífico pelo qual somos bombardeados constantemente.
Esses itens nos abrem espaço para que assumamos a nossa própria postura, seja no campo do marxismo, em campo correlato, ou até mesmo oposto. O estudo de Marx não visa à cooptação, mas sim à compreensão do que é a ciência e como fazê-la.
Desenvolverei esta ideia do grupo de estudo na universidade e no futuro venho expor mais detalhes a respeito de como anda a proposta.

Um comentário:
Olá!
Parabéns pelo seu blog! Muito bom.
Gostaria de aproveitar a visita para divulgar o meu blog. Trata-se do contra-afronta.blogspot.com, onde temas como política, cultura, comportamento e cotidiano são abordados, tendo como foco principal os problemas da cidade de Salvador.
Estou aguardando a sua visita.
Abraço!
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