Lukács diz que os existencialistas pensam que salvam e elevam a liberdade ao falar de uma "derrelição" do homem na liberdade (conceito de Heidegger), ou quando dizem que ele está "condenado" à tal da liberdade (perspectiva de Sartre). Realmente, se a liberdade não está fundada na socialidade do homem, se não se desenvolva a partir daí, mesmo que por meio de um salto, é um mero fantasma. Se o homem, afinal, não tivesse criado a si mesmo - por meio do trabalho - como ente genérico-social, e caso a liberdade não fosse fruto de sua própria atividade, seu autocontrole diante de sua própria constituição orgânica, não poderia, então, haver nenhuma liberdade real. A liberdade adquirida no trabalho originário era, pela sua natureza, limitada, primitiva; o que não altera o fato de que mesmo a liberdade mais altamente espiritualizada deve ser conquistada com aqueles mesmos métodos com que se conquistou a do trabalho mais primitivo. Seu resultado, não importando o grau de consciência, tem, numa última análise, o mesmo conteúdo: isto é, o poder, o domínio do indivíduo genérico sobre aquilo que constitui sua própria singularidade particular, puramente natural. Nesse sentido, concordo com Lukács que o trabalho (é claro; não o trabalho profissional, mas deter as condições de reprodução da própria vida) é que pode ser de fato entendido como modelo de toda e qualquer liberdade...
Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada? - Brecht
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